Como a experiência do Japão com terremotos pode ajudar o mundo a lidar com as enchentes

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Os engenheiros civis geralmente são contratados para construir soluções estruturais “duras”, como paredes de concreto cada vez mais altas e aterros no solo ao redor dos rios.

Mas estas podem não ser mais as melhores abordagens no mundo moderno, quando precisamos enfrentar a mudança nos padrões climáticos e inundações cada vez mais fortes e frequentes.

O que é necessário é uma abordagem integrada para a defesa contra inundações que vá além de usar apenas soluções estruturais.

As pessoas também precisam estar preparadas e treinadas, e um belo exemplo disso é como o Japão aprendeu a lidar com os rotineiros terremotos.

A resiliência japonesa

Nos anos anteriores à segunda guerra mundial, o Japão enfrentou o problema de construir sua resiliência a terremotos.

Os japoneses experimentam em média pelo menos um ou dois terremotos de magnitude 6,5 a 7 ou mais a cada ano.

Esses terremotos costumavam matar milhares de pessoas, mas o número médio de mortos diminuiu significativamente e caiu para algumas dezenas nos últimos anos (com exceções, como o terremoto de Kobe em 1995 e o terremoto que causou o tsunami de 2011).

Isso foi alcançado por meio de um programa que combina desenvolvimento tecnológico e envolvimento público significativo.

Simulações, treinamento, e mais simulações

O Japão realiza simulações anuais e até mensais de terremotos em escolas e outras organizações dos setores público e privado.

Também há educação sobre terremotos nas escolas e campanhas de informação pública, bem como mensagens de alerta sobre terremotos em todo o país por meio de telefones celulares.

Em zonas de perigo de terremotos ou tsunamis, há sinais detalhados para indicar as áreas de risco.

Essas abordagens sociais são os pilares do programa de resiliência a terremotos do Japão, ao lado do desenvolvimento tecnológico de ponta das últimas décadas, como isolamento de base sísmica e tecnologia de absorção de movimento.

O principal resultado da campanha de educação pública do Japão foi que a maioria das pessoas entende que, embora os terremotos não possam ser evitados, seus impactos destrutivos podem ser minimizados e que todos têm um papel a desempenhar.

Isso tem sido fundamental para unir o governo e o público na construção de uma sociedade mais resistente a terremotos.

Simulação de terremoto para passageiros e funcionários na Estação Shinjuku em Tóquio, a estação ferroviária mais movimentada do mundo em número de passageiros. Foto: Franck Robichon / EPA. Fonte: TheConversation.

Na verdade, o Japão transformou seu enorme desafio em uma oportunidade: proteger sua economia e comunidades contra terremotos e, ao mesmo tempo, se tornar o líder em tecnologias de mitigação de terremotos: sabedoria de ponta exportada para todo o mundo.

Muitas nações em todo o mundo lutam contra inundações.

Os países europeus, por exemplo, estão experimentando um dos piores anos de inundações de sua história.

A China também enfrentou fortes inundações na semana passada.

O Brasil, embora esteja enfrentando um período de seca histórico no sudeste e sul, com diversos problemas no abastecimento hídrico, teve cheias devastadoras nos rios do Amazonas no fim de maio, que afetaram mais de 450 mil pessoas, com 25 municípios declarando situação de emergência.  

Aprendendo a enfrentar as inundações

Para começar, é necessária uma campanha intensa para informar o público sobre a nova realidade.

Todos devem saber que as inundações são agora um risco frequente, assim como os períodos longos de seca principalmente na américa do sul.

O público deve ser devidamente informado de que não é tecnicamente possível atingir inundação zero.

Os políticos e especialistas precisam ser honestos com as comunidades que vivem em áreas propensas a inundações que, dadas as circunstâncias atuais e o potencial de agravamento da situação no futuro, será necessário um recuo controlado de áreas consideradas muito difíceis ou caras de proteger.

E as pessoas precisam entender que despejar concreto em todos os lugares não é a resposta!

Paredes maiores e áreas de superfície dura servem apenas para guiar a água da chuva para o canal do rio, que posteriormente transborda.

Em vez disso, seria melhor se esforçar para manter as superfícies em seus estados naturais e permeáveis ​​por meio do uso mais amplo de sistemas de drenagem sustentáveis.

A médio e longo prazo, esses esforços podem ajudar todos a compreender que as mudanças climáticas estão aí, e que as inundações não são mais uma ocorrência rara.

Fonte:

Traduzido, sob Creative Commons license, de: Mohammad Heidarzadeh. Japan’s experience with earthquakes can help teach us to learn to live with floods. TheConversation. 2020.

Foto de capa: treinamento sendo realizado no Life Safety Learning Center, centro de simulações de terremotos. Fonte: AFP/JiJi em: japantimes.co.jp/news/2021/07/12/national/tokyo-olympics-disasters-earthquakes-typhoons/.

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